Há caminhos que não se percorrem apenas com os pés — percorrem-se com a memória, com o coração aberto e com a cumplicidade de quem escolhe caminhar junto. A Travessia pelas Veredas da Resistência é uma jornada de 65km pela Caatinga viva, entre Canudos e Uauá, na Bahia.
Mais do que revisitar os caminhos dos conselheiristas, essa travessia é um convite à lentidão, à escuta e à reconexão com a terra, com as comunidades sertanejas e com as histórias que o sertão guarda em suas pedras, rios e umbuzeiros.
Cada passo pelo solo árido da Caatinga é um diálogo entre o passado e o presente — entre a bravura dos que resistiram e a coragem de quem escolhe, hoje, caminhar por memória e por esperança.
Rendemos uma profunda e solene homenagem à bravura e à resiliência dos sertanejos que, em tempos idos, ergueram-se com coragem diante das adversidades e das injustiças. Caminhar pelas veredas é reconhecer que cada trilha traçada no chão árido da Caatinga foi antes percorrida por pés descalços e corações cheios de fé e resistência.
A memória não é apenas lembrança — é prática viva. É o compromisso de não deixar que o esquecimento apague o que o sangue, o suor e a esperança de um povo inscreveram nessa terra para sempre.
Nossa missão transcende os limites do tempo e do espaço. Empenhamo-nos fervorosamente em proporcionar vivências e debates enriquecedores de conteúdos históricos, culturais e ambientais da nossa região, criando espaços de encontro onde o saber popular e o conhecimento acadêmico se entrelaçam com igual respeito.
As noites ao relento, as conversas ao redor do fogo, os banhos de rio e as refeições partilhadas são a espinha dorsal de uma experiênica que não cabe em palavras — precisa ser sentida com o corpo inteiro.
Nossa missão é dedicada ao fortalecimento da profunda relevância da cultura do Umbu — uma planta emblemática que desempenha papéis cruciais no ecossistema e na tradição local. O umbuzeiro é símbolo de resistência: sobrevive à seca, oferece sombra, água e alimento quando tudo parece árido.
Como o umbuzeiro, o povo sertanejo aprende a guardar vida dentro de si mesmo, a esperar a chuva sem esquecer de crescer. A Travessia honra essa sabedoria ancestral da terra e de quem nela vive.
Celebramos a extraordinária riqueza cultural que emana do coração do sertão — desde a música envolvente do baião e do forró até o artesanato meticuloso das mãos que transformam barro, palha e couro em arte viva. A cultura sertaneja não é folclore: é modo de ser, de resistir e de celebrar a existência.
Ao longo da Travessia, caminhantes são convidados a compartilhar suas próprias linguagens culturais — poesia, música, pesquisa, dança — enriquecendo o percurso com múltiplas vozes e perspectivas.
Convidamos você a percorrer as trilhas sinuosas do sertão, onde cada passo revela uma nova perspectiva sobre a majestade da Caatinga. São 65km entre Canudos e Uauá, atravessando rios, chapadas, fazendas históricas e comunidades que abrem suas portas e coração para os caminhantes.
O caminho exige preparo físico, mas oferece em troca algo que academia nenhuma pode proporcionar: o silêncio do sertão ao amanhecer, o canto dos pássaros no vento quente da Caatinga e a certeza de que você é capaz de ir muito além dos seus próprios limites.
Temos o orgulho de destacar o papel fundamental do Instituto Popular Memorial de Canudos (IPMC) na preservação da memória e na promoção da justiça social. O IPMC é alicerce e alma da Travessia — uma instituição dedicada a manter viva a memória de Belo Monte e a garantir que a história de Canudos seja contada pela perspectiva de quem a viveu.
Parceiro indispensável, o IPMC conecta a Travessia às raízes profundas dessa terra e às comunidades que dela fazem parte, assegurando que o evento tenha impacto real e permanente no território.
O município de Canudos, fundado em 1893 por Antônio Conselheiro, foi palco de um dos maiores massacres realizados pelo Estado brasileiro contra seu próprio povo. Belo Monte foi um núcleo de resistência popular que tentava romper com a submissão às oligarquias rurais — e por isso foi destruído.
Revisitar esses caminhos é um ato político e poético. É reconhecer que a resistência não terminou em 1897 — ela continua, transformada, nas comunidades, nos movimentos, nos rostos de quem ainda vive e luta nesse sertão.
Entre cenários de guerra, trilhas, rios, trincheiras e histórias.
O Projeto Veredas da Resistência é uma iniciativa que floresce no coração do Sertão nos territórios de Uauá e Canudos, é um encontro de forças, um tecer coletivo de lideranças comunitárias, educadores, artistas, pesquisadores, vaqueiros, agricultores, estudantes e sonhadores que dedicam tempo, saberes e afeto para fazer o projeto acontecer sempre com respeito, escuta e compromisso com o território e seu povo. Essas pessoas, vindas de diferentes lugares e trajetórias, se unem com um propósito comum: desenvolver ações coletivas que fortaleçam os territórios como ambientes criativos que valorize o modo de vida das comunidades e construindo, junto com elas, caminhos de resistência, sustentabilidade e esperança. A equipe trabalha de forma circular estando um ao lado do outro, respondendo as responsabilidades que lhe são atribuídas de acordo com a função que ocupam, mas sempre buscando conjuntamente a realização das ações de modo a proporcionar a melhor experiência a todos, todas e todes.
Regulamento completo, critérios de seleção, modalidades de participação e informações sobre a IV Travessia.
Ler EditalRegistros históricos e artigos sobre a Guerra de Canudos, o movimento de Belo Monte e Antônio Conselheiro.
Antônio Conselheiro descrito por Euclides da Cunha em "Os Sertões" — uma leitura essencial para a Travessia.
A memória de Canudos como instrumento de luta por justiça social, reparação histórica e reconhecimento.
Tem dúvidas, sugestões ou quer saber mais sobre a Travessia? A gente adora uma boa prosa. Manda mensagem — a resposta vem com afeto sertanejo.
Acreditamos que um projeto de resistência precisa ser também um projeto de transparência. Cada real investido nessa travessia tem endereço e propósito — e você merece saber exatamente para onde ele vai.
Seguimos comprometidos em deixar um legado de empoderamento, desenvolvimento e valorização cultural. Compartilhamos aqui a prestação de contas da edição anterior da Travessia pelas Veredas da Resistência.
Cada resistência precisa de padrinhos. Se você acredita no poder transformador da caminhada, da cultura e da memória — esse projeto precisa de você.
Sua contribuição garante que mais pessoas — especialmente quem vive no sertão — possam participar desta travessia, independente de condição financeira. Você financia vivências, subsidia vagas e viabiliza a logística do evento.
Apadrinhar é plantar um umbuzeiro no sertão de alguém.
Aponte a câmera do celular ou copie o código Pix abaixo:
O edital da 4ª Travessia pelas Veredas da Resistência contém todas as informações oficiais sobre datas e regulamento
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